Na Mira do Regis

Ministro Joaquim Barbosa não cumprimentou a presidente Dilma na frente do Papa. E eu acho que sei o motivo…

A cena foi filmada e reproduzida aos borbotões pelas TVs e portais de notícias: o ministro Joaquim Barbosa deixou a mão de Dilma meio que no ar depois que foi apresentado por ela ao novo Papa, Francisco, em uma recepção ocorrida no Rio de Janeiro, durante aquela tradicional cerimônia de cumprimentos de autoridades e outras personalidades. Depois de cumprimentar o Papa, Barbosa passou batido pela. Não viu a cena? Veja aqui então:

É claro que a assessoria de imprensa do ministro tratou de jogar panos quentes, dizendo que “o ministro e várias outras autoridades ficaram com a presidente Dilma em uma sala, antes da chegada do papa e, como os dois já tinham se cumprimentado e conversado antes, provavelmente, Barbosa achou que não era o caso de cumprimentá-la novamente”. Me engana que eu gosto, né?

Só que há algo por trás da deselegância por parte do ministro. E meu palpite é muito sério...

De uns tempos para cá, o ministro vem sendo atacado por uma campanha que pouca gente percebeu, cujos adversários são completamente desconhecidos do grande público: os blogs “comprados” pelo próprio governo. É, você não sabia que isto existia, né? Pois não só existe, como é a modernização de uma antiga – e ainda atualizada – prática utilizada por grandes políticos nos mais diversos jornais espalhados pelo País: a compra de matérias favoráveis. Só que a coisa hoje funciona de um modo diferente, que o tio Regis aqui vai explicar...

Não é segredo para ninguém que trabalha nos meios jornalísticos e de informação que existe uma enorme rede de sites e blogs financiados pelo governo para defender seus interesses na internet – uma mídia que jamais é desprezada pelos governantes em todas as esferas políticas do Brasil e do restante do mundo – e até mesmo em “inocentes” redes sociais como o Twitter e o Facebook. Pois eu aposto um sorvete de chocolate e um disco do Smashing Pumpkins que esta turma tem a ver com uma série de notícias a respeito de Barbosa que andou pululando pela internet antes da chegada do Papa ao Brasil, todas com a intenção de provocar no leitor certas dúvidas em relação a retidão moral do ministro.

Primeiro, foram as notícias de que a então nova namorada de Barbosa, a advogada Handra Meira Amorim, iria participar de concurso público para ingressar justamente nos quadros de servidores do Supremo Tribunal Federal. Além de enfatizar a idade da moça – 24 anos – em relação ao ministro, as notinhas deixavam no ar que ela seria certamente aprovada por uma suposta intervenção de Barbosa e que este seria “chegado a novinhas”. Estava na cara de que havia algo por trás destas... ahn... notícias, justamente porque surgiram depois que os políticos ligados ao governo, pressionados/horrorizados/atemorizados pelas manifestações nas ruas, recuaram de suas posições e amargaram uma derrota acachapante na votação da PEC-37 e viram o total esvaziamento da PEC-33. Para tristeza total do governo, o projeto de emplacar um “controle social da mídia”, um eufemismo para a volta da censura, foi enterrado de vez. Depois, estes “lobistas da mídia governamental” tentaram criar uma atmosfera de ilegalidade quando o ministro viajou – em avião de carreira, diga-se de passagem – para sua casa, no Rio de Janeiro, no mesmo dia da abertura da Copa das Confederações.

Para completar o quadro de “conspiração” que tenho em mente, na semana passada brotaram em “blogs”, jornais e agências de notícias que o ministro Barbosa havia constituído uma empresa nos Estados Unidos para adquirir um apartamento em Miami, como se isto fosse uma ilegalidade. Só que esta turma esqueceu um detalhe: não é.

Tal procedimento é totalmente legal e usado o tempo todo nos Estados Unidos, já que, pelas leis americanas, ele tem o objetivo assegurar a eventuais herdeiros a transmissão de bens em caso de morte do proprietário do imóvel, além impedir que o fisco tribute a transmissão deste bem em quase metade de seu valor. No caso específico da Flórida, qualquer pessoa que compre um imóvel por lá faz o mesmo procedimento. Isto significa que quem tentou grudar no ministro alguma mancha de desonestidade ou tentativa de burlar a legislação tributaria brasileira não fez direito a sua lição de casa.

Por isto, penso que a falta de educação acintosa do temperamental ministro Barbosa – que realmente tem um pavio muitíssimo curto, não se pode negar - em relação a presidente Dilma é um gesto calculado, sabe-se lá com qual intenção. Mas ele sabe que é gente próxima a Dilma que financia estes “blogueiros governamentais”, com ou sem o conhecimento da presidente. Para mim, é isto que explica – embora não justifique – a atitude de Joaquim Barbosa em desprezar uma norma básica de convivência social, que é a de cumprimentar um adversário em qualquer situação solene.

Aí tem coisa...

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