Na Mira do Regis

Quando religião gera música boa – parte 3

Como você já sabe, defendo a tese de que música não tem religião e já escrevi algumas matérias a respeito disto - a mais recente está aqui.

Dando prosseguimento a este assunto, trago aqui mais alguns artistas que fizeram e/ou fazem um excelente som com base em suas convicções religiosas. Lembre-se: mais uma vez, aqui estão os MEUS FAVORITOS. Ponto.

Mais uma vez, esclareço que não tenho a menor intenção de tecer comentários a respeito da crença de cada um. Você pode acreditar naquilo que quiser. Aqui, o papo é música e MEUS FAVORITOS. Deu para entender? Não precisarei desenhar, né?

Também aviso que, mais uma vez, omiti a presença de artistas como Elvis Presley, Ray Charles, Johnny Cash, Aretha Franklin, Al Green e o U2, só para citar alguns exemplos de gente que sempre colocou em suas canções uma mensagem religiosa, explícitas e/ou sutis. Optei por incluir aqui aqueles que realmente construíram suas carreiras totalmente em cima de sólidos preceitos da crença de cada um.

Segue abaixo a terceira parte deste assunto. E vem mais por aí. É só aguardar...

TIM MAIA
Antes um malucaço destrambelhado, Tim Maia de uma hora para outra deu uma guinada esquisitíssima em sua vida na metade dos anos 70. Brigou com sua gravadora, montou seu próprio selo,Seroma,e lançou dois discos - Racional Volume 1 e Volume 2 - baseados na sua repentina e total devoção a uma tal de Cultura Racional, uma mistura de filosofia extraterrestre, pregação religiosa e lavagem cerebral.
O resultado disto foram dois discos brilhantes em sua sonoridade, que traziam fortíssimas influências da soul music americana da época, capitaneada por Al Green, Marvin Gaye, Funkadelic e Curtis Mayfield. O problema era que as letras eram um porre, já que versavam apenas sobre a defesa dos mandamentos da tal seita. Tirando este pequeno detalhe, o som continua maravilhoso até hoje.

MAHALIA JACKSON
Ela não era chamada a "Rainha do Gospell" à toa. Dona de um vozeirão espetacular, esta cantora americana construiu uma fama inconstestável não apenas por conta dos mais de trinta LPs e dezenas de compactos — todos maravilhosos - que gravou ao longo da carreira, mas também por sua incansável militância pelos Direitos Civis. As letras de suas canções evocavam imagens bíblicas muito fortes e tinham o poder de convencer a quem quer que seja.

RANDY TRAVIS
Antes um cantor country de enorme sucesso nos anos 80, ele viu sua carreira dar uma boa declinada na segunda metade dos anos 90, quando chegou a ser dispensado da gravadora Warner.
Quase em desespero, ele abraçou a religião e a gospel music, acabando por se reerguer em termos espirituais e artísticos. Seus discos se revitalizaram e ele retomou a veia poética, concebendo belíssimas canções.

RODOX
Esqueça o "mimimi" das "viúvas dos Raimundos". Quando o vocalista Rodolfo Abrantes se converteu e abandonou o grupo em 2001 por não concordar com o estilo de vida que seus companheiros levavam, ele montou uma banda poderosíssima, que mesclava um absurdo peso sonoro a letras bastante engajadas na espiritualidade que o vocalista passou a abraçar. As canções continuam funcionando muito bem até os dias de hoje.

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