Na Mira do Regis

Veteranos mandando bem em novos DVDs

Juro por Deus que não sou saudosista. Não sou o tipo de "velho mala", que passa grande parte do tempo praguejando contra a "música moderna", remexendo a dentadura frouxa na hora de vociferar contra a música atual, que é um "lixo inominável", na qual "ninguém toca nada" e outras merdas do gênero.

Pelo contrário! Acho que vivemos hoje uma época riquíssima em termos musicais, que nada deve ao que se fez no passado. O problema é que esta excelência sonora não está na grande mídia, algo que venho martelando há tempos neste espaço. Mas não é disto que quero escrever aqui...

O que quero mostrar hoje são exemplos de bandas veteranas que soltaram recentemente ótimos DVDs, que merecem ser assistidos tantos pelos fãs veteranos quanto pela molecada débil mental que pensa que o rock começou com o primeiro disco do Strokes. Fiz questão de ilustra cada comentário com vídeos que podem ser assistidos no final destas mal traçadas linhas.

Preste atenção...

RUSH
Time Machine 2011 - Live in Cleveland
(ST2)
O grande atrativo aqui — além da sempre inacreditavelmente perfeita performance do trio — é a apresentação na íntegra do lendário álbum Moving Pictures, lançado originalmente em 1981. Sinceramente, eu e os fãs do grupo jamais pensamos que ouviríamos "The Camera Eye" em um show dos canadenses.

Filmado na cidade Americana na qual pela primeira vez uma estação de radio resolveu promover o grupo, em 1974, o DVD é um primor de sons e imagens. No repertório, a mistura de canções onipresentes como "YYZ", "Tom Sawyer", "Closer to the Heart" e "The Spirit of Radio" com temas pinçados de discos menos relevantes — "Workin' Them Angels" e "Presto", entre outras — cai muito bem, assim como as até então inéditas "BU2B" e "Caravan", que estão incluídas no novo disco Clockwork Angels, que acabou de ser lançado.

Uma atração à parte são as vinhetas de abertura do show, absurdamente bem humoradas, nas quais Geddy Lee, Neil Peart e, principalmente, Alex Lifeson mostram-se excelentes atores de comédias.

Como bônus, há os engraçados filmes The 'Real' History of Rush Episode No. 2 - Don't Be Rash e The 'Real' History of Rush Episode No. 17'... and Rock and Roll is My Name. Além disto, há imagens de bastidores das filmagens, um clipe-gozação de "Tom Sawyer" e duas raridades: "Need Some Love" e "Anthem", filmadas no início de carreira do grupo, sendo que a primeira mostra o baterista original do trio, John Rutsey, falecido em 2008.

BAD COMPANY
Live at Wembley
(ST2)
Com imagens e sons excelentes, o show que esta estupenda banda — bem, pelo menos assim era nos anos 70, já que na década seguinte o grupo se descaracterizou bastante, voltando a soar bem apenas na segunda metade dos anos 90 — mostra a volta do vocalista original, o sensacional Paul Rodgers, ao lado de seus antigos companheiros, o guitarrista Mick Ralphs e o baterista Simon Kirke — o baixista Boz Burrell 'bateu as botas' seis anos atrás -, mais o guitarrista Howard Leese (do grupo Heart) e Lynn Sorensen no baixo.

O repertório é matador. Que banda abriria o seu show tocando logo de cara seu maior hit — no caso, a lendária "Can't Get Enough"? E tome uma pedrada atrás da outra — "Honey Child", "Feel Like Makin' Love", "Movin' On", "Ready for Love", "Run With the Pack" e mais um monte de outras maravilhas.

DEEP PURPLE with Orchestra
Live at Montreux 2011
(ST2)
Já se tornou praxe uma apresentação do grupo no tradicional festival de Montreux, mas agora rolou uma novidade, que foi a presença de uma orquestra inteira na apresentação. Não foi um show "erudito" — algo que a banda já fez em passado longínquo — e sim um momento em que a banda resolveu dar uma encorpada ainda maior em seu repertório.

Logo de cara, você tem que dar um desconto ao vocalista Ian Gillan, cuja voz já foi para o espaço sideral. Mesmo assim, ele não compromete o novo formato que canções como "Highway Star", "Black Night", "Space Truckin'" e, obviamente, "Smoke on the Water". Algumas delas ficaram ainda mais poderosas, como "Knocking at Your Back Door" e, principalmente, "Perfect Strangers". Outro atrativo está na inclusão de canções que a banda não tocava há muito tempo, como é o caso da inesperada "Hard Loving Man".

Para "variar", todo mundo está tocando muito — incrivelmente, o batera Ian Paice parece tocar cada vez melhor à medida que vai envelhecendo — e o alto astral reinante em cima do palco não apenas contagiou a plateia, mas também é capaz de provocar arrepios de emoção na hora de assistir tudo no confortável sofá de sua casa.

SANTANA
Live at Montreux 2011
(ST2)
E já que citei aqui a cidade suíça, lá também foi gravado este ótimo DVD, que mistura em seu repertório aquelas faixas clássicas — "Black Magic Woman", "Oye Como Va", "Europa", "Soul Sacrifice" — com canções constrangedoras de tão ruins, como são os casos das horrendas "Maria, Maria", "Corazon Espinado" e "Smooth", e ainda algumas das covers que ele gravou no álbum Guitar Heaven, lançado em 2010.

O lance é que mesmo as porcarias que citei acima soam muito bem ao vivo, principalmente pela maneira vigorosa com que a banda que acompanha o guitarrista se mete a injetar em cada canção.

Confesso que não deixa de ser engraçado ver e ouvir Santana e seus parceiros interpretarem coisas como "Back in Black" (AC/DC) e "Sunshine of Your Love" (Cream), mas a excelência com que tudo é executado, mais as participações das guitarras de Susan Tedeschi e Derek Trucks, torna este espetáculo um negócio muito divertido de se ver.

Assista aí...

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