Blog da Nina Lemos

O sitcom da idade média do nascimento do ‘bebê de Will & Kate’

Kate Middleton e príncipe Willian (Foto: Getty Images)
(E “ainda bem” que ele é menino)

“Nasceu, é um menino!” Na Inglaterra, fiéis, ou melhor, súditos, choram em frente a um hospital. A multidão usa as cores da pátria. E Kate Midleton é congratulada por ter um filho HOMEM. Sim, um filho homem vale mais. Em que anos estamos? Em 2013, mas um bebê do sexo masculino continua valendo mais e a pátria da Rainha Elizabeth comemora. Medo. Mas tudo isso será esquecido em segundos. O que importa é que o BEBÊ REAL (tem coisa mais antiga?) chegou.

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Seu nome ainda não tinha sido confirmado enquanto esse texto era escrito, mas será copiado mundo a fora, assim como suas roupas. O vestido do batizado real será vendido pela internet, em cópias idênticas, assim como aconteceu com o vestido de casamento da sua mãe, Kate Middleton. Vestidos “estilo” Kate podem ser comprados por cerca de R$ 500. E suas roupas de maternidade podem ser copiadas, já que ela foi eleita “a grávida mais elegante de todos os tempos.”

A princesa Kate é considerada um modelo de “princesa contemporânea”. Mas, espera, isso não é uma contradição em termos? Dá para ser princesa e moderna ao mesmo tempo? Não. Prova é ela ter sido congratulada ao vivo por ter um filho HOMEM e todo o protocolo do nascimento do Bebê Real, que mais parece um sitcom passado na Idade Média. E o fanatismo que o acompanha também. “Temos rei, temos rei”. Mas ter Rei é bom?

Dizem que sim, inclusive por essas bandas. Sim, sofremos uma tremenda nostalgia da monarquia. Acreditar em príncipe e princesa não é privilégio das crianças (que cada dia são mais abduzidas pela linha de princesas da Disney). Mulheres brasileiras ADULTAS podem casar usando vestidos de princesas como a Cinderela e a Bela Adormecida. Sim, não é brincadeira. Eles custam cerca de R$ 500 (o mesmo preço do vestido de Kate). E você pode “brincar de ser princesa”. O conto de fadas surrealista pode continuar depois que você tiver filho. Se for menino (tomara!), dê o mesmo nome que o Bebê Real, se for menina, bem, matricule em uma escola de princesas. Sim, no Brasil existe uma. Em Uberlândia, as meninas aprendem, entre outras coisas, a tomar o tradicional chá das cinco e têm aulas de boas maneiras. E vamos lembrar, não, não existe monarquia no Brasil (ainda bem) e elas não serão princesas, para sorte delas.

Isso porque ser princesa é muito chato. Vamos lembrar que as “moças reais” são mulheres submissas, que têm que ser discretas, seguir um protocolo, “sentar do jeito certo”, “dar adeus do jeito certo”, e ser congratulada, de novo, por ter um filho HOMEM. Enfim, ser princesa é uma chatice SEM FIM.

Mas como a vida de plebéia é medíocre, fingimos que não. Vale sonhar com tudo, até com a existência de um príncipe encantado. E sonhar com a vida do Bebê Real e acreditar que ele é mesmo um ser abençoado. Nós somos todos malucos. E nostálgicos de coisas ruins.

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Sobre Nina Lemos

Nina Lemos tem 42 anos, e é jornalista e escritora. É uma das criadoras da Revista TPM, onde trabalha como repórter especial. Lançou cinco livros com o trio 02Neuronio e o romance "A Ditadura da Moda". Já trabalhou na "Folha de S.Paulo" como repórter e colunista e é também autora do blog Nina Lemos (mas não entendemos). Blogueira desde quando blog chamava site, já teve blogs também no Estadão e foi colunista do site F5. Tem dois gatos e quer morar em Berlim.