Remix

Memória Clipe – Onde está Mauricio Eça?

Claro que o cineasta britânico Alfred Hitchcock entrou para a história do cinema em função da genialidade dos filmes que dirigiu. Mas um dos atrativos dessas produções era também o fato de que ele fazia pequenas aparições na tela. O mesmo acontece com o diretor brasileiro de videoclipes Mauricio Eça. Reconhecido por produções como "Diário de um Detento", dos Racionais MCs, "Regina Let's Go", do CPM 22, e "Admirável Chip Novo", da Pitty, ele costuma aparecer de modo um pouco disfarçado em alguns videoclipes que dirige.

Formado em cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo, Mauricio Eça começou a dirigir videoclipes por volta de 1995. "Naquela época, dirigir videoclipes era uma forma de se iniciar na carreira de realizador de audiovisuais. Para mim, eles sempre tiveram o caráter de laboratório, de experimentação de linguagens e, como tal, sempre será uma linguagem jovem e inovadora. Vale tudo no videoclipe e o mais legal, hoje em dia, é que a inclusão digital trouxe a possibilidade de mais pessoas iniciarem na carreira", assegura.

Ele não consegue definir um estilo próprio, mas se considera um realizador que resolve. "Acho que para dirigir um videoclipe, o diretor tem que gostar de música e estar com vontade de contar alguma coisa sempre nova, porque, a meu ver, ele tem que impressionar o espectador por frames inusitados e lindos. Tem que cortejar o olhar do público e, como o clipe tem este lance de experimentar, nada melhor do que fazer sem medo", opina.

Com relação as rápidas aparições na tela, Mauricio brinca: "Como ator, eu sou um bom diretor. Sou muito fraco como ator, mas, como gosto de trabalhar com interpretação e adoro o trabalho de um ator numa obra, acabei muitas vezes ousando e 'entrando nos clipes. E, em cada um, teve uma história diferente, desde a necessidade por falta de verba e falta de algum ator, mesmo porque em alguns dos casos ninguém teve coragem de encarar e eu fui lá (risos)".

Tente localizar a seguir as aparições surpresa de Mauricio Eça em alguns videoclipes, numa espécie de "Onde está o Wally?".

Unidos da Branca Pura — Tom Cavalcante. 1996

A 27 segundos, apareço no meio da roda de samba, olhando pra um ovo azul. Cena totalmente insólita e total viagem. Um bando de gente bebendo, num clipe de um bêbado, e eu sendo mais um deles, vidrado numa bela espécime de ovo.

Homem de Aço — DMN. 1998

Apareço a 5'54'', junto com o rapper Marcão, do grupo DMN e com o meu velho parceiro e amigo de tantos outros clipes, Marcelo Corpanni. Aqui topamos fazer esta cena por convite do DMN, que nos considerava como caras firmeza e aí estamos neste momento do clipe cumprimentando em portraits pra câmera.

Bomba H — Face da Morte. 1999

Apareço a 3'16'' dirigindo um carro e sendo enquadrado com uma arma na cabeça. Aqui fui o escolhido por eliminação, porque filmávamos em Hortolândia (no interior de São Paulo) e, segundo o grupo, o único que poderia passar por playboy num carro importado seria o Koga, assistente de câmera japonês, que se negou a fazer a cena e acabou sobrando pra mim.

Admirável Chip Novo — Pitty. 2003

Apareço a partir dos 3 minutos como o controlador que reinstala o sistema e desliga os manipulados, que são Pitty e banda, e, ao final, eu mesmo sou desligado e desabo em cima de uma cadeira que roda e na qual estou sentado. Na verdade, apareceço de costas e com o cabelo todo lambido com gel. Tudo isso faz parte de uma "viagem" que eu e a Pitty criamos sob influência do mestre David Lynch.

Pra Ninguém (Por Enquanto) — Nila Branco. 2004

Apareço a 3'43'', de costas e caído no balcão de um boteco do centrão, atrás da cega que, com sua bengala, sai com dificuldade. Cena criada e filmada no final de uma fria madrugada paulistana.

A Vida é Minha (Eu faço o que eu quiser) — Capital Inicial. 2007

A 1'04'', recebo a atriz Fernanda Souza e, como um bom hostess de uma boite de striptease, abro alas pra ela entrar naquele mundo de liberdade enfocado no clipe. Participação curta e afetiva. O detalha é o terno branco da Calvin Klein, que comprei num brechó. Acho que me pareço com um bicheiro, mais que um cafetão (risos).

Passos Pela Rua — Marcelo Mira. 2008

Apareço a 2'36''. A história toda é contada ao contrário no ritmo de cada acontecimento e eu sou um drogado que está num banheiro, quando a protagonista perdida entra lá e eu a empurro pra fora, a impedindo de participar da minha "viagem".

Sonhos Contrários — Mafalda Morfina. 2008

Apareço a partir de 3'03'', em duas rápidas cenas no meio da coisa toda "enlouquecida". Clipe filmado em Fortaleza e em Juazeiro do Norte, sob influência de forte calor. Aqui também participei porque eu era o único homem presente.

Rostos na Escuridão — Ásfora (co-dirigido com Fred Zero Quatro e Carina Zaratin). 2008

Descaradamente, apareço várias vezes, pois sou um dos personagens do clipe. Foi ousado e totalmente insano da minha parte topar ser um dos personagens que vivem na "escuridão". Eu sou meio um último dos moicanos, que ainda uso máquina de escrever, visto uma jaqueta da Marinha... Se estou atuando mal, a culpa é toda do Fred e da Carina (risos).

Pensa em Mim — Hardneja Sertacore. 2010

Apareço a 3'40'', junto a uma turma de "cantores" de karaokê, no meio da loucura do clipe. Cena rápida. Perto do mim está o meu grande parceiro, editor e co-diretor em tantos clipes, Tony Tiger.

Carregando...

YAHOO CELEBRIDADES NO FACEBOOK