Chico Buarque: 10 músicas essenciais

Chico BuarqueFilho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda, Chico Buarque nasceu no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1944. Aos 21 anos, lançou seu primeiro compacto, contendo duas faixas: "Pedro Pedreiro" e "Sonho de um Carnaval". O lançamento do primeiro disco, em 1966, e sua estreia nos festivais de música brasileira bastaram para que o compositor se tornasse um sucesso absoluto. Passados 48 anos, Chico Buarque acumula 33 discos, quatro peças teatrais e quatro romances literários no currículo. Confira a seguir 10 obras essenciais da carreira do artista.

A Banda (1966)

O ano de 1966 foi decisivo na carreira de Chico Buarque. Ele acabara de lançar seu primeiro disco, e escolheu "A Banda" para representá-lo no II Festival da Música Brasileira, promovido pela TV Record. A marcha, interpretada por Chico e Nara Leão, foi um sucesso absoluto. Empatou com "Disparada", de Geraldo Vandré, na primeira colocação. Foi também em 1966 que Chico Buarque estreou sua carreira literária, com a publicação do conto "Ulisses", e que o artista se mudou de volta para o Rio de Janeiro, cidade protagonista de muitas de suas composições.

Com açúcar, com afeto (1966)

Uma das marcas registradas de Chico Buarque é conseguir compor no feminino. A primeira canção do tipo veio em 1966. A pedido de Nara Leão, Chico escreveu "Com açúcar, com afeto", cuja letra relata as aflições de uma mulher submissa que prepara doces para o marido enquanto este se entrega à boemia ("Fiz seu doce predileto pra você parar em casa..."). Nara Leão foi peça essencial na carreira de Chico. Por causa das gravações que ela fez de suas canções, Chico desistiu do curso de Arquitetura para se dedicar à carreira musical.

Construção (1971)

"Construção" é uma das obras primas da carreira de Chico Buarque. O título refere-se tanto ao contexto da letra quanto à construção estrutural da canção. Os 41 versos alexandrinos (dodecassílabos) terminados em proparoxítonas narram, em três diferentes pontos de vista, o último dia de um operário suicida. A gravadora de Chico Buarque utilizou um blefe para driblar a censura, que pegava pesado na época: aconselhou os oficiais a proibirem a música. Eles, só de birra, liberaram a versão sem cortes. "Construção" foi eleita a melhor música brasileira de todos os tempos pela revista Rolling Stone, em 2009.

Cálice (1973)

A música é uma marca da briga de Chico Buarque com a censura imposta pela ditadura militar. "Cálice", uma parceria dele com Gilberto Gil, foi integralmente barrada pelos oficiais. Chico não se deixou intimidar. Ele e Gil desobedeceram a censura e interpretaram a música em um show no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, em 1973. Os censores estavam a postos, e acabaram desligando o microfone de Chico. A letra de "Cálice" é, de fato, uma provocação à ditadura. O som da palavra "cálice" pode ser entendido como "cale-se", dando nova interpretação à canção, que só foi liberada para gravação em 1978.

Acorda, amor (1974)

Ainda na tentativa de burlar a censura da ditadura militar, Chico Buarque compôs três músicas sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide. Isso porque, só de olhar o nome de Chico Buarque na composição, os censores vetavam as canções. A estratégia deu certo: todas as músicas de Julinho foram aprovadas, mesmo tendo letras bem irônicas e provocativas. "Acorda, amor" conta a saga de um homem perseguido pelos agentes da polícia. Em entrevista ao jornal "Última Hora", em 1974, Julinho da Adelaide chegou a dizer que Chico Buarque era um aproveitador, pois estava faturando em cima de suas músicas.

João e Maria (1977)

Um dos maiores sucessos da carreira de Chico Buarque, "João e Maria" foi composta por Sivuca em 1947, quando Chico ainda era uma criança de três anos de idade. Trinta anos depois, Chico Buarque fez a letra, inspirado na inocência da infância. Tanto a construção ("Agora eu era...") quanto seu conteúdo ("Era o bedel e era também juiz...") remetem ao universo fantasioso da mente infantil. Mais tarde, Chico Buarque descobriu que a música de Sivuca já tinha sido letrada, na década de 1950, por Rui de Moraes e Silva. A versão que prevaleceu, no entanto, é, incontestavelmente, a de Chico Buarque.

Deixa a menina (1980)

Chico Buarque já compôs diversos sambas em sua carreira. "Deixa a menina" é memorável, por ser uma bela resposta ao samba "Sem compromisso", de Geraldo Pereira, que Chico também gravou. A letra de "Sem compromisso" versa sobre um homem ciumento que leva sua mulher ao baile, mas reclama de ela dançar com outros homens. Em "Deixa a menina", Chico aconselha o personagem de Geraldo Pereira a "deixar a menina sambar em paz". Em shows, Chico costuma cantar uma música seguida da outra. Uma versão conhecida é o dueto feito com Martnália, na gravação do DVD da cantora em Berlim (Alemanha), em 2009.

Beatriz (1982)

Edu Lobo é o mais constante parceiro de Chico Buarque. Juntos, eles já compuseram 43 músicas. "Beatriz", uma das canções da dupla, ficou conhecida na voz de Milton Nascimento. A música faz parte da trilha sonora da peça "O Grande Circo Místico". Há muita especulação em torno da musa inspiradora de "Beatriz". Há quem diga que a canção é uma homenagem à atriz Marieta Severo, então esposa do compositor ("be atriz" corresponderia a algo como "ser atriz"). Chico Buarque, no entanto, não confirma a suposição. Ele diz que se inspirou na musa de Dante Alighieri, Beatriz Portinari. A construção da canção é genial: a nota mais baixa corresponde à palavra "chão" e a mais aguda, a "céu".

Vai passar (1984)

Um dos maiores sucessos da carreira de Chico Buarque é o samba-enredo "Vai Passar". A magistral - e irônica - letra sobre o passado colonial do Brasil foi composta momentos antes de Chico entrar no estúdio de gravação. Essa, por sinal, é uma situação comum na carreira do compositor: muitas de suas músicas foram feitas sob pressão. A melodia de "Vai Passar" já tinha surgido dois anos antes, quando ele trabalhava com Edu Lobo na composição do samba "Dr. Getúlio".

Piano na Mangueira (1993)

Não poderia faltar nesta lista uma parceria de Chico Buarque com Tom Jobim. E é também essencial falar de uma das grandes paixões do compositor, homenageada em muitas de suas canções: a Estação Primeira de Mangueira. "Piano na Mangueira" cumpre ambos os quesitos. Tom Jobim era um perfeccionista: sempre implicava com algum detalhe das letras feitas por Chico. Em "Piano na Mangueira", não gostou da frase "Já mandei subir o piano pra Mangueira". Por causa da entonação, ele dizia que "mandei" parecia-se com "monday", segunda-feira em inglês. Chico nem ligou: deixou a letra como estava e aguentou as reclamações do maestro toda vez que ouvia o trecho. Em 1998, a verde e rosa homenageou Chico Buarque com o samba-enredo "Chico Buarque da Mangueira". A escola se sagrou campeã do Grupo Especial do Carnaval carioca.

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