As marchinhas de Carnaval mais famosas de todos os tempos

Desde o início do século XX, o brasileiro pula o Carnaval ao som de marchinhas. O gênero musical teve seus altos e baixos e, com o passar das décadas, passou a competir com o axé, pop, funk, sertanejo e samba por um espaço no Carnaval. Apesar da carência de novas composições, a marchinha carnavalesca continua sendo um som característico da popular festa brasileira. Confira, em ordem cronológica, seis marchinhas que ficaram marcadas na história do Carnaval.

Ó Abre Alas (1899)

Compositores: Chiquinha Gonzaga

Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marchinha carnavalesca da história em 1899, cerca de 30 anos antes de o gênero estourar no Carnaval brasileiro. A música é uma homenagem ao Cordão Rosa de Ouro ("Rosa de Ouro é quem vai ganhar..."), que antes disso desfilava no bairro do Andaraí, zona norte do Rio de Janeiro, ao som de cantos africanos e batuques. Apesar de ter feito o maior sucesso na época, a marchinha só foi gravada em disco 72 anos depois, por Linda e Dircinha Batista. Ainda hoje, passados 114 anos, "Ó Abre Alas" é entoada nos carnavais de rua do país.

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=lcJ1VPSctCQ

O Teu Cabelo Não Nega (1931)

Compositores: Lamartine Babo, Raul Valença e João Valença

A marchinha estourou no Carnaval carioca de 1932, depois de ter embalado um show de Carmen Miranda. O sucesso marcou o início do prestígio das marchinhas carnavalescas no país. A canção era, originalmente, um frevo regional composto pelos pernambucanos irmãos Valença, que foi dado pela gravadora RCA a Lamartine Babo para que ele o adaptasse ao gosto carioca. A polêmica letra ("Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu amor...") não impediu que a música se tornasse um absoluto sucesso, que marca presença até hoje nos blocos de Carnaval do país.

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=C36_dl1W72Q

Touradas em Madri (1937)

Compositores: Alberto Ribeiro e Braguinha

A canção foi composta para o Carnaval de 1938, e já estreou vencendo um concurso carnavalesco organizado pela prefeitura do Rio de Janeiro. A glória durou pouco, porém. A música foi logo desclassificada da competição, por versar sobre um assunto estrangeiro (a guerra civil espanhola). Na Copa do Mundo de 1950, no entanto, a marchinha voltou a cair no gosto popular. A torcida brasileira entoou-a em uníssono no estádio do Maracanã ("Bum, bum, pa-ra-ra-tim bum..."), depois que a seleção venceu a Espanha por 6 a 1.

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=FPTIHyM6LLA

Turma do Funil (1956)

Compositores: Mirabeau, Milton de Oliveira e Urgel de Castro

A marchinha composta para o Carnaval de 1956 fez sucesso ao versar sobre uma turma de beberrões: "Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto...". Não foi a primeira música que Mirabeau compôs sobre o tema: três anos antes, ele foi um dos coautores da marcha "Cachaça" ("Se você pensa que cachaça é água..."), também bastante entoada em Carnavais. "Turma do Funil", no entanto, destaca-se como um verdadeiro hino à boemia. Foi gravada até por Tom Jobim, Chico Buarque e Miúcha, em 1980.

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=zH27glILUTw

Máscara Negra (1967)

Compositores: Zé Keti

A canção se destaca na história das marchinhas carnavalescas por ter resgatado o gênero musical em uma época em que ele parecia estar se perdendo em meio aos sambas-enredo, bossas e músicas tropicalistas. A letra da música remete aos bailes de Carnaval e aos amores impossíveis, tendo como protagonistas os icônicos Pierrô, Arlequim e Colombina. A nostálgica marcha-rancho foi regravada recentemente pela banda Los Hermanos (2009) e pelos cantores Lenine e Roberta Sá (2007).

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=ZiLWGuejfj8

A Pipa do Vovô (anos 80)

Compositores: Manoel Ferreira e Ruth Amaral

Eternizada na voz de Sílvio Santos, a divertida marchinha foi, na verdade, escrita pelo casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral. A dupla também é responsável pela autoria de "Ritmo de Festa", interpretada pelo apresentador. A letra de "A Pipa do Vovô" remete, ironicamente, à impotência sexual de pessoas idosas ("A pipa do vovô não sobe mais...)". Junto a "Maria Sapatão", de Chacrinha (1981), é uma das últimas marchas carnavalescas a se enraizarem na cultura popular.

Para ouvir a música: https://www.youtube.com/watch?v=U0BDe07Q8Vs

Carregando...