Otto lança The Moon 1111, álbum que mistura Pink Floyd e François Truffaut com música brasileira

Em Novo Disco, Artista Segue Influências Diversas, Mas Sem Repetir Fórmulas Fáceis

Em "Pelo Engarrafamento", do disco Condom Black (2001), Otto já dizia que via o mundo cheio de pessoas e sinais. E é isso que ele tem feito com o número 1111. Seja como um instrumento de racionalização do mundo ou uma forma de exercitar a imaginação. "Esse é um número de abertura dos portais, é cabalístico e é uma hora que me perseguia muito, 11:11", contou o músico. Adicione a essa receita uma pitada do longa-metragem Fahrenheit 451 e temos The Moon 1111, novo disco do artista que chega às lojas a partir do dia 11 de novembro, o dia 11 do mês 11.

Gravado entre Pernambuco e São Paulo, nas cidades de Olinda e Recife, além da capital paulistana, o álbum foi produzido de forma independente, com recursos captados por edital junto ao programa Natura Musical e com distribuição da Deck Discos.

A produção musical ficou por conta de Pupilo (Nação Zumbi), parceiro de longa data que também tocou bateria. O guitarrista Fernando Catatau (Cidadão Instigado), o tecladista Donatinho, o baixista Dengue (Nação Zumbi), e o baixista e "pau-para-toda-obra" Kassin completam a banda, que também contou com a participação de Lincoln Olivetti nos arranjos e teclados.

Em seu 5º álbum de estúdio, Otto diz ter sofrido influências das mais diversas, sejam musicais ou cinematográficas, especificamente Pink Floyd (de quem toma emprestado a lua do disco The Dark Side of The Moon, de 1973) e François Truffaut, com uma pitada do afrobeat de Felá Kuti e o romantismo de Odair José. Tudo temperado e reconduzido aos caminhos da música brasileira.

Até aí, além do discurso e das entrevistas, tem sido uma postura recorrente do artista buscar novos caminhos. E isso, por vezes, pode criar armadilhas, como repetições por meio de fórmulas. Ainda mais quando tem que enfrentar comparações com o trabalho anterior, no caso o disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009), muito elogiado pela crítica. E é justo dizer que ele se sai bem.

The Moon tem unidade e sonoridade própria. Os elementos que sempre fizeram parte do universo do músico pernambucano, seja nos temas, nos ritmos ou nas construções melódicas, estão ali, mas apresentadas de uma maneira nova. Otto reconheceu ter encontrado obstáculos durante o projeto até que, ao assistir a um programa musical de "eletropop" encontrou uma nova direção para o trabalho. "Eletronizei esse disco de uma hora para outra", disse. O que pode ser comprovado em "Ela Falava", com seu clima pop oitentista.

Os temas e letras continuam construídos de maneira peculiar, seguindo um jeito meio torto e coloquial que não esconde emoção e nem humor. "Eu vou fazer contigo uma DP, uma dupla penetração", de "DP", por exemplo, pode parecer uma provocação colegial, mas funciona com a música. Já "Dia Claro", nos convida a uma audição mais cautelosa dos versos "Cê falou que ia embora? Pode ir. Sabe por quê?/Porque eu vou ficar com o que eu tenho, com o que eu amo/Vou ficar com o meu filho que tu não assumiste/Vou ficar com minha vida que tu deixou/Vou ficar com os meus sonhos que não morreram/Vou ficar sem você, meu amor/Gostou?"

"Felicidade não existe/O que existe na vida são momentos felizes", versos de "A Noite Mais Linda do Mundo", de Donizette e Marcelo, sucesso na voz de Odair José, é interpretada sem qualquer ponta de cinismo. Para Otto, é uma música popular e não brega.

Desde os anos 90, quando ainda era integrante do Mundo Livre S.A., Otto tem construído uma carreira singular, misturando elementos de culturas diversas que convergiam em uma legítima expressão cultural brasileira. E em cada um dos discos que lançou é evidente a intenção de buscar algo novo. O mesmo acontece em The Moon 1111. É diferente de trabalhos anteriores, mas ainda é reconhecidamente um disco do Otto. Por paradoxal que pareça, faz sentido para quem acompanha seu trabalho, que segue apesar das dificuldades do mercado fonográfico brasileiro. "Só não caí porque sou nordestino bem alimentado", como diz o próprio em "TV a Cabo", de Samba pra burro (1999).

Serviço

Nome do disco: The Moon 1111

Nome do artista: Otto

Gravadora: Independente

Preço médio: R$ 30,00

Faixas

01. Dia Claro

02. Ela Falava

03. A Noite Mais Linda do Mundo

04. Exu Parade

05. The Moon 1111

06. Selvagens Olhos, Nego!

07. HDeus

08. Miss Apple e Zé Pilantra

09. O Que Dirá o Mundo

10. DP

Discografia (Estúdio)

Samba pra Burro (1998)

Condom Black (2001)

Sem Gravidade (2003)

Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009)

The Moon 1111 (2012)

Outros

Changez Tout - Samba pra Burro Dissecado (2000) - Remix

MTV Apresenta Otto (2005) - Ao Vivo

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