Parlamento britânico considera Murdoch incapaz de dirigir império

Londres, 1 mai (EFE).- A Comissão de Cultura e Meios de Comunicação do Parlamento britânico disse nesta terça-feira que o magnata Rupert Murdoch "não está apto" para dirigir uma multinacional e questionou a gestão do escândalo das escutas ilegais.

Na apresentação do esperado relatório, os parlamentares afirmaram que o magnata mostrou "cegueira voluntária" ao ignorar as práticas ilegais desenvolvidas de forma generalizada no jornal "News of the World", já fechado. Os deputados concluíram também que o império empresarial de Murdoch, News Corporation,"enganou" à Câmara dos Comuns e teve a intenção de encobrir os erros cometidos.

"Com base nas provas, concluímos que, se nos momentos relevantes, Rupert Murdoch não tomou medidas para estar completamente informado sobre as escutas, é porque fez vista grossa e mostrou cegueira voluntária sobre o que ocorria em suas empresas e publicações", disse o relatório.

Segundo os deputados, o encobrimento passou por todos os níveis da organização e levou a diversos erros de gestão que os fizeram concluir que Murdoch "não está apto para dirigir uma grande companhia internacional". A comissão apresentou as conclusões da investigação que começou em julho de 2011, por causa do fechamento do jornal "News of the World" que levou a prisão de dezenas de empregados por suposto envolvimento em escutas telefônicas ilegais.

Os parlamentares, liderados pelo deputado conservador John Whittingdale, entrevistaram as vítimas das escutas, assim como a jornalistas, policiais e advogados. O magnata Rupert Murdoch e seu filho James, que foi diretor de News International (NEM), filial britânica do império News Corporation, também compareceram perante os deputados no ano passado.

Pai e filho defenderam que não sabiam das escutas, e consideraram que as práticas deveriam ter sido encerradas em 2007 quando dois empregados do "News of the World" foram presos. No entanto, o ex-diretor da publicação, Colin Myler e o advogado chefe Tom Crone disseram que enviaram um e-mail a James Murdoch informando sobre as escutas.

O relatório publicado nesta terça representa um contratempo para a família Murdoch, que possui no Reino Unido outros jornais como "The Sun" e "The Times" e 39% da plataforma digital BSkyB.

A partir das conclusões dos deputados, a participação no canal de televisão por assinatura, atualmente revisado pela regulação britânica de telecomunicações, pode ser colocada em questão se a News Corporation for considerada incapaz de conduzir a licença. EFE

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