Três festivais abertos para o novo

RIO - A música brasileira que anda - na internet, na exploração de terrenos novos, no diálogo entre gerações - ocupa três palcos cariocas a partir de janeiro. Nesta terça-feira começam no CCBB e na Miranda, respectivamente, a série Sai da Rede e a Semana Coqueiro Verde. No dia 16, é dada a partida no Festival do Ritmo no Espaço Sérgio Porto. Perfis diferentes, conceitos e motivações próprias, mas com o traço comum da curiosidade.

O Sai da Rede parte do recorte de artistas que vêm se destacando no uso da internet - para divulgação, produção e comercialização de sua música. Atração da abertura, a banda paulistana O Terno é um exemplo claro disso. Seu clipe de "66" acumulou visualizações, atraiu atenção e foi premiado na categoria Melhor Clipe no Prêmio Multishow 2012. Amanda Menezes, que assina a curadoria e a direção artística do festival ao lado de Pedro Seiler, explica que a ideia do evento foi dar conta de um descompasso que o mercado da música hoje traz:

- Eu e Pedro somos muito amigos e sempre conversamos sobre como lidar com essa nova situação da música, a crise da indústria, a falta de palcos. Esses artistas encontraram um caminho pela internet. Mas ao mesmo tempo em que têm milhares de views, repercussão na web, as oportunidades de tocar ao vivo, em boas condições são pouquíssimas. Há um descompasso aí.

O projeto teve sua primeira edição em 2011, nos CCBB de Brasília e de São Paulo. Agora, chega ao Rio, trazendo artistas de cinco estados - a programação inclui os baianos do Baiana System, os cariocas do Do Amor, o capixaba Silva e o pernambucano Tibério Azul.

Na Miranda, o que amarra as atrações é o fato de estarem no elenco da Coqueiro Verde - e o desejo de seu diretor artístico, Leo Esteves, de reeditar o papel aglutinador e de riqueza criativa que as gravadoras já tiveram no desenvolvimento da música brasileira.

- Erasmo (principal nome da gravadora e pai de Esteves) conta que André Midani fazia muito isso. Costurava parcerias, construía amizades, identificava semelhanças, pensava: "vamos juntar essa turma". A Coqueiro é um pouco isso. Nosso elenco permite isso também.

Os encontros - como Autoramas & BNegão, Kassin & Domenico Lancellotti - serão o mote do festival:

- Vamos olhar a química e ver se pinta um projeto dali - diz Esteves.

Fugindo da chatice

Atração da Semana Coqueiro Verde, Domenico é o idealizador e curador do Festival do Ritmo, que ocupa o Espaço Sérgio Porto entre os dias 16 de janeiro e 6 de março, sempre às quartas-feiras. A ideia original de Domenico era levar bateristas importantes ("Os estilistas, os caras que criaram uma escola na música brasileira", define) para o centro dos holofotes.

- Mas queria fugir dessa chatice que tem nesses encontros de instrumentos - explica Domenico. - As figuras que estão ali já ajudam a sair disso. Porque o que me interessava era, mais que a bateria, era a visão de mundo, de música, que esses caras têm. Quase todos são compositores. Cada um com seus convidados, vamos usar esse formato.

As noites acabam portanto sendo um encontro de gerações. A primeira terá Wilson das Neves e Domenico. As semanas seguintes terão, entre outras reuniões, Mamão com Thalma de Freitas, Paulo Braga com Kassin e Alberto Continentino e, por fim, Tutty Moreno com Moreno Veloso e Davi Moraes.

- Pensamos muito nas participações. Moreno e Tutty Moreno têm uma relação de família (Tutty tocou com Caetano, pai de Moreno), Thalma e Mamão já tocaram juntos num disco feito nos Estados Unidos, Oscar Bolão queria fazer algo com Carlos Malta, sopro e ritmo, meio fanfarra, Mautner vai falar sobre o ritmo e cantar uns sambas de que gosta ao lado dos Ritmistas - conta Domenico. - Faltou muita gente, como Marcio Bahia, Pupillo, Pascoal Meirelles, Cesinha, Jorge Gomes... Espero que possamos continuar com o projeto para montar esses shows.

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